VOLTAR PARA CASA

Atualizado: Mar 23

Tenho pensado em qual poderia ser minha contribuição neste momento tão delicado de nossas vidas.


Como possuo facilidade para a escrita — e, cada vez mais, vejo que a escolha da minha profissão não deve ter sido “por acaso”, como nada na vida é — senti o chamado de compartilhar com vocês as minhas observações e reflexões sobre tudo o que está acontecendo e para que estamos sendo “desafiad@s”.


Se eu pudesse resumir, eu diria que ouço claramente a voz da Criação nos dizendo: “Voltem para casa! Voltem para casa, filh@s!”.


A casa física/externa e, principalmente, a casa interna!


Estávamos tomando rumos muito prejudiciais e insustentáveis à nossa existência (individual e coletiva).


Distraídos pelas ilusões do mundo material e pressionados a funcionar como máquinas, andávamos desconectados de nós mesmos, de quem amamos, de quem precisa da gente. Estávamos desconectados das nossas naturezas interna e externa. Estávamos cada vez mais fora do que dentro!


E foi então que a Criação, por nos amarmos incondicionalmente, resolveu nos dar (mais) uma CHANCE, (mais) uma OPORTUNIDADE!


Ameaçados por um coronavírus estritamente relacionado aos seres humanos — até este momento, não há evidência de que plantas e animais possam contrair ou transmitir a doença —, estamos obrigados a nos RECOLHER, a nos AQUIETAR, a nos ESCUTAR, a nos ENXERGAR, a nos ENTENDER, a nos CUIDAR, a nos REINVENTAR...


Estamos tendo a oportunidade de AUTO-CONEXÃO e AUTOCONHECIMENTO para (re)aprendermos a SER (humanos)!


Sem podermos sair de casa, temos mais tempo (que se tornava cada dia mais insuficiente, lembram-se?!) e a chance de enxergarmos — com olhos de VER! — noss@s filh@s, nossas famílias... aqueles que há muito clamavam pela nossa atenção e o nosso cuidado.


Ganhamos a chance de com-viver!


Ganhamos a chance de estarmos PRESENTES, de vivermos com INTEIREZA. Ganhamos a chance de praticarmos mais e mais o que sustenta nossas famílias, o nosso planeta: RESILIÊNCIA, EMPATIA, COMPAIXÃO, FLEXIBILIDADE, PAZciência, AMOR!


Confinados à nossa família, fica ainda mais cristalina para mim a voz da Criação nos dizendo: “Conheçam-se! Amparem-se! Cuidem-se! Compartilhem! Contribuam! Valorizem-se! Amem-se, de fato!”.



Voltamos à nossa raiz, ao núcleo, ao SENTIDO da nossa existência! Afinal, estamos aqui para quê, se não é para SERVIRMOS, para cuidarmos uns dos outros, para vivemos com amor? É por isso que vivemos em sociedade... não fosse este o sentido, seríamos “pequenos príncipes” vivendo, cada um, em seu mundinho.


Mas, vivemos no mesmo planeta. Onde, apesar de tantas diferenças culturais, geográficas e econômicas, este vírus torna ainda mais evidente que somos igualmente vulneráveis, igualmente frágeis, igualmente IGUAIS! Com muito menos controle da vida do que um dia chegamos a pensar que tínhamos.


Somos TODOS PARTE DO UNO — células de um mesmo organismo chamado Terra!


E assim como o nosso próprio organismo — em que cada célula tem sua responsabilidade, sua importância e dá a sua contribuição para que o corpo possa funcionar bem — estamos sendo CONVOCADOS a dar nossa melhor contribuição à humanidade! A entendermos que o nosso planeta, a nossa civilização, sucumbe com EGOísmo, EGOcentrismo e a insanidade do materialismo, que corroem as naturezas interna e externa. Que corroem a nossa existência!


Geograficamente limitados, voltamos a perceber o limite do outro. Voltamos a entender que é preciso respeitar as fronteiras pessoais.


Também estamos sendo lembrados que podemos viver com SIMPLICIDADE e CRIATIVIDADE. Viver com o que é necessário, com o que realmente faz sentido e é sustentável!


Estamos tendo a oportunidade de APRECIAR nosso lar: brincar de esconde-esconde, cozinhar junt@s, relembrar histórias de família, olhar olho-no-olho, fazer coceguinhas amorosas, dar e receber colo, perdoar, jogar dominó, desenhar e pintar, balançar na rede, sentarmos junt@s à mesa, tomar banho de chuva, sentir o calor do sol...


Estamos sendo ALERTADOS que a vida é real e que o virtual precisa ser equilibrado, utilizado como ferramenta para o bem. Estamos tendo a oportunidade de ser(mos) vivos! De percebermos que AS MELHORES COISAS DA VIDA NÃO SÃO COISAS!


Estamos tendo a oportunidade de exercitar a CALMA; viver o AQUI E AGORA, UM DIA APÓS O OUTRO; OUVIR a voz sábia e preciosa do silêncio; MEDITAR sobre quem verdadeiramente SOMOS. Encarar nossas sombras, nossas dificuldades, nossas limitações... (re)conhecermos... para, então, EVOLUIRMOS!


Será que estamos sendo desafiados ou PRESENTEADOS com tantas oportunidades?!


A vida é ESCOLA, é IMPERMANÊNCIA e está em constante movimento, convidando-nos a fluir com ela!


Tudo passa. O que é bom passa! E o que é ruim passa também!


Respiremos! Enxerguemos! Permitamos a AÇÃO da vida! Acolhamos as LIÇÕES e os aprendizados! Caminhemos!


E quando a “normalidade” for restabelecida, que a GENTE tenha aprendido a viver de forma compatível com a nossa natureza, com as nossas reais capacidades (humanas)... sem nos desconfigurarmos e nos perdermos novamente!


Encerro esta contribuição com um trecho do prefácio escrito pelo antropólogo, cientista social e psicólogo Roberto Crema ao livro O Corpo e seus Símbolos, de Jean-Yves Leloup: “Na tumba do conhecido, padecemos; já não renascemos mais para a externa novidade do mundo”.


Saúde, serenidade, amor e paz!

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