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    [Série "Os Sessenta de Brasília"] — ALEXANDRE GARCIA: PAIXÃO À PRIMEIRA VISTA PELA CIDADE

    Atualizado: Mar 3


    Foto: Dênio Simões


    Ele se lembra nitidamente: “fazia um belo sol de março” quando, em 1976, o jovem de 36 anos desembarcava em Brasília, vindo de Buenos Aires, na Argentina, para ser correspondente do Jornal do Brasil.


    “Fiquei deslumbrado com a amplidão, com todo aquele espaço, com este horizonte inigualável. Me apaixonei desde o primeiro momento pela cidade”, detalha o jornalista Alexandre Garcia. “Fui morar no Lago Norte, onde nem asfalto tinha. Minha (primeira) esposa disse que não ia ficar, fez as malas e foi embora. Eu fiquei e nunca tive dificuldades em continuar morando aqui”, completa.


    Filho do radialista uruguaio Óscar Chaves García, o pequeno Alexandre Eggers Garcia — nascido em 1940, na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul — já atuava, aos 7 anos de idade, como ator infantil na rádio em que o pai trabalhava. Aos 16, era locutor da Rádio Independente de Lajeado.


    Formou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul. O primeiro emprego no jornalismo foi como estagiário na sucursal do JB de Porto Alegre.


    De março de 1979 a novembro de 1980, foi porta-voz do último presidente militar, João Baptista Figueiredo. Passou pela TV Manchete e, por mais de 30 anos, trabalhou na Rede Globo como comentarista político do Bom Dia Brasil, âncora do DFTV e apresentador eventual do Jornal Nacional. Em 28 de dezembro de 2018, deixou a Globo.


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    Com um canal no Youtube seguido por quase 1 milhão de pessoas, Alexandre Garcia atualmente faz análises e comentários que são veiculados em 330 emissoras de rádio e 38 jornais. É também palestrante do que ele resume ser o “tema Brasil”. Especialista em questões nacionais, Alexandre é profundo conhecedor de Brasília, onde educou três filhos e acompanha a cidade desde que o Distrito Federal tinha 15 anos.


    “Muita coisa mudou. Temos gente demais e carros demais para uma capital que foi planejada e deveria continuar sendo (organizada). Temos também os nossos próprios políticos, nascidos aqui. E uma preocupante ocupação ilegal e desordenada do solo”, lamenta o jornalista de barba e cabelos nevados.


    Morador de uma região do DF cercada pelo cerrado, Alexandre Garcia gosta de caminhar pelos arredores da casa dele e sentir o clima, o céu e o que ele considera outra característica de Brasília: “esta sensação de vizinhança, de cidade pequena mesmo sendo grande, que outras capitais não têm”.



    (Diário do Poder, 29/2/20)