[Série "Os Sessenta de Brasília"] — A HISTÓRIA DO PEDIATRA ANTONIO LISBOA

Atualizado: Mar 3

Em 21 de abril deste ano, a capital do Brasil completa 60 anos de vida. Para comemorar estas seis décadas, o site Diário do Poder publica a série “Os Sessenta de Brasília”, com perfis de mulheres e homens que constroem a história da cidade. Os textos começaram a ser veiculados no último dia 29 de fevereiro. Parte deles, escrita por mim a partir de entrevistas com quem orgulha a cidade e também contribui para que Brasília ofereça a melhor qualidade de vida do país.


Foto: Tony Winston


O pediatra Antonio Lisboa estreou a série no Dário do Poder. Ele chegou à capital em 1967, quando a cidade só tinha 7 anos. Hoje, aos 93 anos de idade, Doutor Lisboa ainda atende crianças e escreve livros. E se derrete pela cidade: “Em nenhum outro lugar eu teria a oportunidade de realizar meus sonhos e ter tanto reconhecimento como Brasília me possibilitou”. Conheça um pouco da vida de Antonio Marcio Junqueira Lisboa na capital federal:


Aos 93 anos, internacionalmente conhecido, o pediatra Antonio Marcio Junqueira Lisboa conversa com a vitalidade de um homem de 40, idade em que chegou a Brasília com a primeira esposa e quatro filhos adolescentes, em março de 1967.


Nascido em Leopoldina (MG) e estabelecido à época no Rio de Janeiro, doutor Lisboa foi seduzido pela nova capital na primeira visita à cidade. “Em janeiro, já estávamos com os filhos matriculados no Colégio Dom Bosco antes mesmo de trazermos a mudança do Rio”, recorda-se o médico, que tinha o sonho de fazer e ensinar pediatria do jeito dele.


De 1967 até 1994, Antonio Lisboa dedicou-se à Universidade de Brasília (UnB). Além de ganhar carta branca para organizar a pediatria do curso de medicina “da forma como acreditava que deveria ser”, ele estruturou a residência médica no Hospital (universitário) de Sobradinho, projeto que ganhou a admiração do mundo. “No Rio de Janeiro, eu tinha o segundo maior consultório da Capital, uma condição financeira muito boa e poderia até ter ganhado mais dinheiro. Mas, em nenhum outro lugar eu teria a oportunidade de realizar meus sonhos e ter tanto reconhecimento como Brasília me possibilitou”, conta o pediatra que participou do nascimento de muitos brasilienses.


Hoje, com quase um centenário de vida, ele ainda faz questão de dedicar alguns dias da semana para receber crianças no consultório que montou na casa dele, no Lago Sul. Além da companhia dos pacientes, doutor Lisboa não abre mão de outra paixão: escrever livros.


Ele contabiliza 20 obras e destaca a última: “Cuidando de Crianças”. Já a quantidade de honrarias recebidas no Brasil e em outros países, o médico estima que sejam por volta de 100. Lembra, ainda, das dezenas de conferências que deu mundo afora para contar os feitos na UnB e na residência do Hospital de Sobradinho, que virou modelo para nações como Estados Unidos, França, México e Costa Rica, entre outras.


Membro honorário das academias Nacional de Medicina, da Sociedade Peruana de Pediatria e da Associação Costarriquenha de Pediatria, Antonio Lisboa foi presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e das academias Brasileira de Pediatria e de Medicina de Brasília. Também foi membro da Academia Leopoldinense de Letras e presidente de honra da Sociedade Pernambucana de Pediatria, além de ter sido aprovado, aos 50 anos de idade, em primeiro lugar no resultado geral do concurso público para a Fundação Hospitalar do DF.


Vivendo 53 anos em Brasília com a segunda esposa (a primeira faleceu vítima de atropelamento) e o amor dos cinco filhos (o último, nascido no DF), doutor Lisboa considera-se “realizado e gratificado”. “Aqui em Brasília, eu fiz o que queria, o que sonhava em fazer. É por isto que eu digo, com alegria: eu sou daqui!”



(Diário do Poder, 29/2/20)

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