©2019  |  eLeve-se.life  | 

  • Preto Ícone Instagram

Foto: Dênio Simões


“Uma cidade de grandes e múltiplos horizontes”. Esta é a definição de Brasília pelo olhar atento do jornalista e empresário Otto Sarkis, fundador e diretor-geral da rede hoteleira HPlus, líder do segmento no Centro-Oeste e uma das maiores do país. Em 1989, aos 32 anos de idade, Otto aceitou uma proposta de trabalho da TV Record e desembarcou na capital para fazer a cobertura jornalística das eleições presidenciais que levaram Fernando Collor ao Palácio do Planalto.


“Quando cheguei aqui, era eu e eu”, diverte-se. “Eu fazia desde as entrevistas até a edição e a geração das reportagens”, recorda-se o múltiplo mineiro, com passagens pelos jornais Folha de S. Paulo, O Globo, Correio Braziliense e Hoje em Dia, além das revistas Imprensa e IstoÉ.


Em 2002, após perceberem uma oportunidade de mercado no ramo hoteleiro de Brasília, Otto Sarkis e a então esposa, Ana Paula Faure, criaram a HPlus para atender especialmente a clientela ligada ao mundo político que demandava hospedagens de longa duração (pelo período de um a três meses). A empresa ganhou musculatura e os sócios investiram também em hotéis com diárias.


Oito anos depois, com o sucesso dos negócios, Otto deixa o jornalismo para se dedicar à HPlus. Trabalho, inovação e o diferencial de oferecerem excelente hospitalidade a preços justos resultaram em uma próspera rede hoteleira com 18 unidades: 16 no Distrito Federal — entre eles, o Premier Residence, o Life Resort e o Biarritz —, um em Palmas (TO) e outro em João Pessoa (PB).


“E estamos em expansão, em processo de captação de novos investidores”, conta Sarkis, ao destacar a boa qualidade de vida que Brasília oferece ao mesmo tempo em que alerta para o risco que a cidade corre de perder esta caraterística. “A ocupação desordenada do DF é algo muito preocupante. Ela afeta questões essenciais para uma coletividade, como a mobilidade e o transporte público”, analisa.


Sempre ligado ao mundo cultural, Otto Sarkis — organizador do festival fHist de história, arte e música que, em cinco edições, reuniu mais de 12 mil pessoas em Diamantina (MG) — encontra lazer nos cinemas e nas quadras de tênis da capital. “E em casa também, junto à família e aos meus três netinhos”, conta o jovem vovô de 63 anos, pai de cinco filhos e contemplador do horizonte “que só o céu de Brasília proporciona”.



(Diário do Poder, 15/3/20)



“Meu sonho era ter tido a chance de ficar na memória como o ministro que erradicou o analfabetismo no Brasil. Não pude. E ainda temos mais de 11 milhões de pessoas acima de 15 anos que não sabem ler nem escrever”. A reflexão é do ex-ministro da Educação, ex-senador, ex-governador do Distrito Federal, ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) e um dos 15 especialistas convidados pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para traçar o futuro da educação no mundo: Cristovam Buarque.


Foto: Dênio Simões


Pai de políticas públicas e ações implementados no DF (de 1995 a 1998) que são grandes legados para Brasília e influenciaram a criação de programas de abrangência nacional — a exemplo do Bolsa Escola, que inspirou o Bolsa Família —, o recifense nascido em fevereiro de 1944 chegou à capital aos 35 anos de idade, com esposa Gladys e dois filhos pequenos (com 4 e 5 anos), em 15 de março de 1979. “No mesmo dia da posse de Figueiredo, o último presidente militar do Brasil”, recorda-se.


Graduado em engenharia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Cristovam desembarcou em Brasília depois de trabalhar por seis anos no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), quando ocupou postos relevantes no Equador, Honduras e Estados Unidos, onde morou a maior parte deste período: quatro anos, na capital Washington. Antes, por conta de perseguições da ditadura, ele partiu para um “autoexílio” na França. “Época em que eu mergulhei nos estudos”, conta o ex-governador, que conquistou doutorado em Economia pela Universidade de Panthéon-Sorbonne (Paris), em 1973.


“Eu queria voltar para o Brasil e tinha possibilidade de trabalhar na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), na Universidade de Campinas ou na UnB. Escolhi vir para Brasília, a nova capital do país, onde eu poderia colaborar tanto com a academia como também com o Parlamento, embora eu não pensasse em ser político”, afirma o ex-senador.


Ao chegar no Distrito Federal, Cristovam e a família foram recebidos na casa do ex-colega de Engenharia na UFPE e à época já professor da UnB, Ricardo Lima. “Ficamos acampados na casa dele, por uns três meses”, diverte-se o ex-ministro. Depois, mudaram-se para a 107 Norte. Em 1980, Cristovam Buarque comprou um apartamento na 215 Norte, onde ele e Gladys moram até hoje.


“Meu prédio foi um dos primeiros daquela quadra, que nem asfalto tinha. Morávamos no sexto andar e o edifício ainda estava sem elevador. Mas, naquela época, subir e descer tantas escadas não era sacrifício algum para um corredor de meia-maratona, com trinta e poucos anos de idade”, graceja o ex-governador, ao se lembrar dos encontros de professores nos apartamentos da Colina da UnB.


Embora tenha se envolvido com o movimento estudantil durante a graduação na UFPE e sido ligado a Leonel Brizola, fundador do PDT, Cristovam Buarque só ingressou oficialmente na política em 1994. Naquele ano, ele aceitou o convite do PT para disputar a eleição ao Governo do Distrito Federal contra Joaquim Roriz, que em 1999 retornou ao GDF, frustrando os planos de reeleição de Cristovam.


No Executivo local, o ex-reitor da UnB colecionou êxitos em programas e iniciativas que marcaram a gestão dele à frente da administração de Brasília: além do Bolsa Escola, a Campanha Paz no Trânsito de respeito à faixa de pedestres, a Poupança Escola (estímulo para os estudantes concluírem o ensino médio), o BRB Trabalho (microcrédito para pequenos empresários), o Projeto Saber (cursos profissionalizantes para trabalhadores como cabeleireiros e padeiros), a Mala do Livro (cerca de 500 mil livros oferecidos à comunidade), o Projeto Orla (revitalização ambiental e empresarial do Lago Paranoá); a Cesta Pré-Escola (cesta básica concedida a mães de crianças com até 4 anos de idade, mediante a realização de um curso por mês) e as Temporadas Populares (ações de arte e cultura promovidas com a participação de artistas de todo o país, a um custo de R$ 1 para a população).


Um dos idealizadores do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), Cristovam também implementou o Telematrícula na rede de ensino de Brasília. Ele orgulha-se pela expansão da educação pública nos quatros anos em que esteve à frente do GDF.


“Construímos uma média de duas salas de aula por dia, totalizando aproximadamente 3 mil salas instaladas nos quatro anos de governo”, contabiliza Buarque, que em 2006 candidatou-se à Presidência da República com a proposta de mudar a nação e promover a inclusão social a partir “de uma revolução pela educação”.


No Legislativo, Cristovam Buarque continuou pautando a atuação dele na defesa intransigente da educação. Eleito senador em 2002, com 674.086 votos (30% dos válidos), e reeleito em 2010, com 833.480 votos (37,7% dos votos válidos), o brasiliense de coração faz questão de pontuar que nunca usou apartamento funcional nem pagou “um único almoço com dinheiro do Senado”.


No ministério, teve como uma das principais metas a implementação do projeto de Federalização da Educação Básica — em que o tema deixaria de ser uma questão municipal para tornar-se uma prioridade da União. Na avaliação de Cristovam, a única utopia que deveria ter sido mantida no Brasil é “filho de pobre estudar na mesma escola que filho de rico”.


Ao refletir sobre a eleição de Bolsonaro, o ex-ministro aponta três do que ele classifica como os principais erros cometidos pelos brasileiros na atualidade: “tolerância à corrupção”, “culto a personalidade de dirigentes” e “cooptação das universidades, que perderam o senso crítico”.


Autor de aproximadamente 40 livros (três deles, infanto-juvenis), Cristovam Buarque foi consultor de diversos organismos no âmbito das Nações Unidas. Presidiu o Conselho da Universidade para a Paz da ONU e foi membro do Conselho Consultivo do Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, entre outros cargos internacionais.


Em 2014, Cristovam se aposentou pela Universidade de Brasília. “Hoje, entendo que, aos 76 anos de idade, tenho o direito de aproveitar mais a minha vida”, diz o professor emérito da UnB, que continua escrevendo e fazendo palestras dentro e fora do país.



(Diário do Poder, 12/3/20)

Atualizado: Mar 15


Foto: Dênio Simões


Uma filha amorosa de Brasília. Assim é a relação da jornalista Lilian Tahan com a cidade em que a mãe goiana e o pai mineiro se encontraram há 45 anos e construíram uma família de três filhos, todos brasilienses.


Lilian nasceu quando a capital era uma jovem de 20 anos, e passou a maior parte da infância na 107 Sul, próximo à Igrejinha. “Muito parecida com uma cidade de interior”, recorda-se a diretora do site Metrópoles, ao reviver as brincadeiras com os amigos embaixo dos blocos, o cheiro da natureza no bosque que existia entre as quadras 106 e 107, a liberdade dos passeios de bicicleta, as caminhadas tranquilas para o colégio. “Estudei em escolas públicas e aos 10 anos eu já ia sozinha para o colégio. Atravessava a W3, as 900, sem nenhum risco no trânsito ou medo de violência”, lembra.


Para Lilian Tahan, crescer junto com Brasília foi presenciar uma expansão talvez maior do que se previa e a cidade pode suportar. “Ao mesmo tempo em que já somos o terceiro polo gastronômico do País e avançamos muito na área hospitalar nos últimos cinco anos, o que é muito bacana, vivenciamos dificuldades como a falta de estacionamentos, um trânsito cada vez mais difícil, áreas degradadas que dificultam a circulação das pessoas e claras fragilidades na segurança pública”, observa.


Formada em Comunicação Social pela Universidade de Brasília (UnB), Lilian começou a trabalhar aos 17 anos e se define como “metódica e organizada, parecida com Brasília”.


Fez especialização em Jornalismo Digital e Gestão de Empresa de Comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Trabalhou 12 anos no jornal Correio Braziliense e dois na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT e Engenho. Em setembro de 2015, foi convidada para assumir a direção do influente site Metrópoles.


“Trabalho em um meio que passa por transformações mas, que tem se mostrado bem sucedido aqui em Brasília”, analisa. “Não tenho do que reclamar da minha cidade. Ao contrário! Só tenho a agradecer pelas oportunidades, pelos laços de amor e pelas alegrias que vivo aqui”.


A exemplo de seus pais, que firmaram suas raízes aqui, Lilian Tahan está casada há 20 anos, é mãe de um adolescente de 14 e continua, como quando era criança, apaixonada pelos Ipês que colorem o DF no inverno do Planalto Central.


Foto: Tony Winston



(Diário do Poder, 7/3/20)